Sobre Desk Research

Existem diversos tipos de Pesquisa, mas a mais importante para quem vai visitar um futuro cliente, começar um trabalho, ou até mesmo antes de ir a uma entrevista de emprego, é fazer uma Pesquisa Secundária, conhecida também como Desk Research.

Vale lembrar que, ao longo de todo o trabalho para um cliente você irá revisitar e revisar toda essa pesquisa inúmeras vezes, então, prepare-se!!

O que é Desk Research ou Pesquisa Secundária?

Desk Research é outro nome para pesquisa secundária. De um modo geral, existem dois tipos de atividade de pesquisa: Pesquisa Primária e Secundária.  Na Pesquisa Primária, uma empresa encomenda uma pesquisa para descobrir: tendências de mercado, hábitos de consumo de produtos e informações, características de mercado, entre outras finalidades.

Já a Pesquisa Secundária ou Desk Research, um indivíduo como você busca e aprende com os resultados das diversas pesquisas que empresas fizeram e disponibilizaram para o grande público. Portanto, no Desk Research não há coleta de dados diretamente da fonte, sejam entrevistados ou mercado. Em vez disso, o seu papel como pesquisador é revisar os resultados de pesquisas anteriores para obter uma ampla compreensão do campo.

Por que fazer um Desk Reasearch?

Como consultora, eu não conheço todas as características dos mercados que meus clientes ou potenciais clientes atuam. Por isso, ante de ir à primeira conversa com meu potencial cliente, busco aprender sobre o mercado onde a empresa em questão atua.  Isso me ajuda a fazer perguntas importantes para eu poder compor o briefing adequadamente.

Mas esse tipo de informação é ainda mais fundamental antes de fazer uma visita de campo, desenvolver um protótipo, executar um teste de usabilidade ou embarcar em qualquer projeto que você ou eu queiramos centralizar no usuário, pois essas informações poderão indicar os desafios que a empresa à qual nós estamos dando assistência irá enfrentar.

Ao ler o resultado das buscas note que, embora seja improvável que alguém tenha realizado a atividade de pesquisa exata que você está precisando, é quase certo que alguém já tenha tentado responder a perguntas relacionadas a comportamento do consumidor, mercado e tendências. Fazer um Desk Research é a maneira mais rápida e barata de entender o ambiente competitivo desse mercado onde o cliente e sua empresa estão.

Realizar um bom Desk Research é um primeiro passo crítico para fazer um bom atendimento ao seu cliente, por pelo menos três razões:

  1. Se você não sabe o que aconteceu antes, não sabe como avaliar a realidade do cliente e nem vai ter como descobrir algo novo.
  2. Você vai demonstrar profissionalismo na sua atividade de consultor. Mas, se você não realizou essa “due diligence”, fará perguntas irrelevantes, ou não fará perguntas. Você poderá descobrir que seus potenciais clientes já não estão satisfeitos com você, porque você não se interessou ou não sabe nada sobre eles.
  3. Não fazer o Desk Research como pesquisa preparatória é desrespeitar o tempo dos clientes, pois o resultado será perder parte da conversa com o cliente tentado entender o mercado, sendo que isso é algo que você poderia ter coberto em outro lugar.

Como você aborda um Desk Research?

Neste ponto, tive muitos alunos e companheiros de trabalho que me disseram que o tema que estão trabalhando é tão inovador que certamente não há pesquisas anteriores ou há muito pouca coisa.  Creio que esse é um equívoco comum e fruto do ego.  Sempre há pesquisas anteriores, sempre há algo que deu início a essa ideia!

Na minha experiência, sempre há algo na academia (sim, papers acadêmicos fazem parte do Desk Research!), talvez com um nome ou ideia semelhante, às vezes em outra área de conhecimento.  Abaixo apresento uma abordagem para orientar essa sua busca!

Como fazer um bom Desk Research?

Como boa parte das pesquisas começa num instrumento de busca e não com o cliente mandando pesquisas já feitas para você. No instrumento de busca o segredo está em fazer uma lista de palavras e expressões-chave para os assuntos que você precisa saber. Você pode começar a lista de forma genérica: mercado de carros no Brasil, por exemplo, e depois pedir – mercado de carros no Brasil nos últimos 10 anos.

Fazer essa lista garante 100% de sucesso nessa atividade?  Não! Mas melhora suas chances de aprender com os próprios erros e de se tornar mais assertivo ao longo do tempo.  Isso mesmo!  A gente aprende com os erros e nada pode evitar que eles aconteçam.  Ter a lista ajuda a eliminar aquelas palavras mais fracas, menos importantes.

Outra forma de abordar a pesquisa é ter em mente seu objetivo. Um exemplo é querer saber o contexto de uso: quem são os usuários dos produtos, seus objetivos e os ambientes em que a compra ocorre.

É importante que você pesquise sobre os consumidores: o que compram, quando, usando quais critérios, o que os faz desistir, produtos substitutos e como olham os competidores.  Portanto, ao descobrir quem são os competidores importantes para os consumidores do produto ou empresa para quem você está prestando consultoria, você deve fazer as mesmas perguntas e um desk research tão detalhado quanto fez para seu cliente!

Nesta etapa, você achará útil:

  1. Analise as pesquisas existentes feitas por organizações governamentais:

https://atlas.media.mit.edu/en/ – sobre comércio entre países e seus mercados

https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao.html – sobre população no Brasil

2. Revise pesquisas realizadas por instituições como:

https://go.forrester.com/ – sobre todo tipo de asunto ligado a tecnología

https://www.emarketeer.com/services/ – sobre assuntos ligados ao Mercado Digital

http://www.iftf.org/home/ – sobre tendências e futuro

3. E Pesquise no Google Acadêmico para encontrar pesquisas relevantes realizadas pelas universidades! Embora você possa ter dificuldades para apreciar as nuances de certos argumentos acadêmicos, você sempre pode usar essa rota para encontrar os detalhes de contato do pesquisador e ligar para eles.

Julgando a qualidade da pesquisa que você encontra

Julgar a qualidade da pesquisa é um artigo inteiro em si. Há uma longa lista de itens a observar, mas o que sempre me chama mais a atenção é a fonte.  Quem foi que escreveu o artigo e que propriedade tem para falar sobre aquilo?  É uma pessoa com uma longa carreira de trabalho no setor?  É um professor que só estuda esse assunto?  É um consultor de muito reconhecimento e sucesso?  Ou é algum aventureiro?

Olhar a data pode ser um critério, mas nem sempre é o mais justo de todos.  Porém, quando pesquisamos coisas ligadas a tecnologia, faz muito sentido descartar algo mais antigo.  A qualidade da escrita também é muito importante, mas esse critério tende a ser mais flexível.

Aguardo comentários e sugestões!

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